“Tem tradições o teatro em Constância, documentadas desde os primeiros anos do século XX. Durante a I República foi intensa a actividade teatral, dinamizada sobretudo pelo Grupo Dramático 1º de Maio, realizando-se os espectáculos na casa da Rua João Chagas que foi sede do antigo Clube Estrela Verde.
No princípio dos anos 30, a Câmara Municipal, gerida por João Lopes Godinho, considerando as dificuldades financeiras por que passava a Santa Casa da Misericórdia, a quem o Estado atribuía subsídios insignificantes, e dispondo de um edifício que até há pouco servira de quartel da Guarda Republicana e que estava sem utilização, resolveu adaptá-lo a Cine-Teatro, dotá-lo com um mínimo de condições e entregá-lo à Santa Casa para o explorar em seu benefício.
Foi assim que o teatro de Constância, a partir de 1932, dispôs de um espaço próprio para os ensaios e as representações onde o público se habituou a ir à procura de cultura e de diversão.
No ano seguinte, 1933, chegou à vila a electricidade e com ela a possibilidade de introduzir espectaculares efeitos de luz e de projectar filmes, assumindo a casa, plenamente, as funções de Cine-Teatro. Além do cinema e do teatro, era também utilizada para outras actividades culturais e de convívio, como ceias e bailes, revertendo a receita, por norma, para a Santa Casa da Misericórdia.
A década de 50 foi a época áurea do teatro constanciense, graças à revista Constância é assim, estreada em 31 de Maio de 1952, que envolvia 40 pessoas e fez quatro representações em menos de um mês – o que é notável para uma terra com a pequena dimensão que Constância tem.
Depois de uma década em que pouco de novo aconteceu, quase se limitando o Cine-Teatro a passar uma fita de vez em quando, a actividade teatral reanimou a partir de 1975, em grande parte graças à fundação do actual Clube Estrela Verde que herdou do seu antecessor do princípio do século o gosto pelas actividades recreativas e culturais e, em especial, pelo teatro, tendo-se organizado, com o seu apoio, sucessivos grupos de entusiastas que puseram de pé vários espectáculos representados no concelho e fora dele.
A degradação do velho edifício, que fora quartel da Guarda e Cine-Teatro durante tantos anos, inviabilizou a continuação da sua utilização e a Câmara Municipal resolveu substituí-lo por um novo edifício, mais moderno e mais funcional.
É esse edifício, inaugurado em 10 de Junho de 1993, dia de Camões, que hoje permite a Constância dispor de uma excelente sala com capacidade para cerca de 150 espectadores e equipada com tudo o que é necessário à realização de espectáculos musicais, de teatro e cinema, exposições e conferências.”
in Histórias do Património do Concelho de Constância, de António Matias Coelho, 1999