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04.12.2008 | 
Bonequinhas

Mais antigas do que a nossa memória, sempre jovens e belas nas mãos de uma criança, a alindar um recanto, a despertar-nos lembranças, a encantar-nos os olhos.

Singelas mas elegantes e de uma imensa dignidade, transportam consigo sinais de identidade de Constância, das suas raparigas, das suas mulheres, das suas mães – e das mãos, também de mulher, que as fazem desde não se sabe quando.

Foram ganha-pão caseiro, nos tempos dos marítimos do Tejo, quando os homens embarcavam e as mulheres ficavam em casa, cuidando dos filhos e aproveitando o tempo e os restos de tecidos para fazerem bonecas. Vendidas às grosas para as feiras da região, alimentavam os sonhas das meninas que compravam e minoravam as carências das mulheres que as faziam.

Hoje, como sempre, discursam no feminino. Como Constância, Vila Poema, de onde são filhas e orgulho. E são bonequinhas, não por serem simples ou pequenas, mas por levarem em si, a começar pelo nome, toda a ternura do mundo.

Não há no País quem tenha
Mais arte, mais elegância,
Quem mais popular
Que as bonequinhas de Constância.


Teatro Constanciense, anos 50
Por CMC
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Bonequinhas de Constância

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