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Constância
Constância
Dados caracterizadores da Freguesia de Constância
Sendo a freguesia da sede do concelho, é no seu território que se encontram instalados os principais serviços e equipamentos que servem todo o concelho: a Câmara Municipal, a Escola Básica e Secundária Luís de Camões, a Biblioteca Municipal Alexandre O’Neill, o Museu dos Rios e das Artes Marítimas, a Casa-Memória de Camões, o Jardim-Horto Camoniano, o Pavilhão Desportivo Municipal, a Piscina Municipal, as várias repartições da administração pública e diversos outros serviços.
Constância, que foi chamada Punhete até 1836, é vila desde que D. Sebastião lhe concedeu essa dignidade e criou o concelho em 1571. Mas o lugar, habitado pelo menos desde a época romana, tinha já alguma dimensão e importância económica e estratégica nos finais da Idade Média, surgindo frequentemente referenciado em documentação histórica da época.
A vila, situada no ponto onde o Zêzere desagua no Tejo, sempre foi um lugar muito importante do ponto de vista da estratégia militar. Testemunhos disso são a fortificação que existiu até ao início do século passado junto à confluência, no sítio a que ainda agora se chama
Torre
, ou as conhecidas dificuldades do exército de Junot, durante a primeira invasão francesa, em 1807, para atravessar a impetuosa corrente do Zêzere.
Constância organizou-se em função da colina e do aproveitamento económico dos rios, vivendo durante séculos do transporte fluvial – quando o Tejo era a principal via de comunicação entre o interior e Lisboa –, da construção e reparação naval e da pesca. A chegada do caminho-de-ferro, na segunda metade do século XIX, e sobretudo das camionetas de carga, em meados do século XX, ditou o fim da actividade dos
marítimos
e obrigou a vila a procurar outros meios de vida. O turismo cultural, científico e de natureza tem-se assumido, nos últimos anos, como a actividade potenciadora do desenvolvimento de Constância e do seu concelho.
A Festa de Nossa Senhora da Boa Viagem, com mais de duzentos anos de tradição, é um testemunho vivo que vem dos tempos do transporte fluvial e que hoje, mercê da criação das Festas do Concelho, na década de 80, está transformada na grande Festa do Tejo, à qual acorrem muitos milhares de visitantes em cada Páscoa, sendo uma das mais significativas e conhecidas festividades cíclicas de Portugal.
Constância está indissociavelmente ligada à memória de Camões e da sua passagem pela vila que a tradição popular assevera. Sobre as ruínas da casa que o povo garante ter acolhido o épico foi erguida a Casa-Memória de Camões. Um belíssimo Jardim-Horto e um monumento ao poeta reforçam essa profunda ligação e pelo 10 de Junho realizam-se as Pomonas Camonianas, uma exposição-venda de frutos e flores referidos por Camões na sua obra – outro dos grandes momentos culturais da vila e do concelho.
O ambiente poético que Constância proporciona atraiu à vila inúmeras figuras das letras de relevo nacional, como Alexandre O’Neill, Vasco de Lima Couto e muitos outros que a continuam a procurar. Traduzindo essa ideia, o projecto cultural
Constância, Vila Poema
, lançado em 1990, acabou por se transformar num
slogan
, uma espécie de sobrenome da vila que está completamente consagrado.
O património construído da vila é muito vasto e rico, com destaque para a Igreja matriz de Nossa Senhora dos Mártires, a Capela de Sant’Ana e o pelourinho. A malha urbana do centro histórico, tecida ao longo dos séculos e perfeitamente adaptada à inclinação do terreno, compõe-se de um interessante emaranhado de ruelas, becos e escadinhas que merecem uma visita.
No alto de Santa Bárbara encontra-se instalado o Centro Ciência Viva de Constância – Parque de Astronomia, um dos mais bem equipados do país que, para além de uma vista magnífica, proporciona variadas experiências e oportunidades de conhecer o Céu e a Ciência.
Da freguesia faz parte o lugar de Constância Sul, na outra margem do Tejo, onde, numa colina, se situa a encantadora Capela de Santo António. Segundo a tradição, terá sido a segunda construída em Portugal em honra do popular santo, logo a seguir à sua canonização em 1231.
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