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Montalvo

Dados caracterizadores da Freguesia de Montalvo

  Até há poucos anos, Montalvo era uma freguesia essencialmente rural, sendo o seu território, em especial o mais próximo do rio Tejo, povoado de olivais, áreas de cultivo e hortas. Essa é a razão por que a sua matriz cultural, não obstante as alterações verificadas nos tempos recentes, assenta em características muito ligadas às tradições do trabalho da terra desenvolvido ao longo de séculos.

  A criação, a partir de 1992, de uma Zona Industrial onde se instalaram mais de duas dezenas de empresas, fez da freguesia de Montalvo o principal centro de actividades transformadoras do concelho e tem vindo a mudar, significativamente, as suas características socioeconómicas e até culturais.

  A abertura, em 1994, da Autoestrada da Beira Interior (A23), que liga Torres Novas à Guarda atravessando a freguesia, veio facilitar imenso as acessibilidades, colocando Montalvo a pouco tempo de viagem tanto de Lisboa como da fronteira de Vilar Formoso.

  A sede da freguesia situa-se numa pequena elevação, protegida das periódicas inundações do Tejo. Daí pode ter resultado o seu nome, Montalvo, que sugere uma povoação situada num sítio elevado (monte) e de aspecto predominantemente branco (alvo). Esse é certamente o motivo por que este lugar, servido por terras férteis e de fácil acesso ao rio, tradicional via de comunicação com o litoral, é habitado desde épocas muito remotas.

  Neste aspecto, encontra-se especialmente documentado o período romano. A Cidade da Escória, localizada na Terra Fria, entre a aldeia e o Tejo, parece ter sido uma villa rustica cujo apogeu terá ocorrido no século IV. A designação vem da abundância de escória de ferro que se encontra com facilidade em toda a zona e que testemunha a existência de uma importante fundição na fase final do Império Romano. Os materiais exumados em algumas escavações pontuais realizadas nos últimos anos apontam no sentido de a mítica Cidade da Escória ter sido uma próspera unidade de produção agrícola.

  Do património construído da freguesia merece destaque a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção, construída na segunda metade do século XVIII, que encanta pelas suas linhas simples e discretas, muito de acordo com as características rurais tradicionais da freguesia.

  O edifício privado de maior relevo é o solar onde, desde 1980, estão instaladas as Irmãs Clarissas do Desagravo. É também uma construção setecentista que no século XIX foi habitação dos Annes de Oliveira, uma rica e influente família de proprietários agrícolas que ainda hoje dão nome à principal rua de Montalvo. Para além da belíssima casa de habitação, que agora é o Convento de Nossa Senhora da Boa Esperança, o conjunto arquitectónico integra ainda a Capela de S. João Baptista, que serviu de panteão à família até à construção do primitivo cemitério da freguesia. É notável pelo seu retábulo, pelas pinturas, pelo silhar de azulejos e pela colecção de pequenas imagens em madeira, adquiridas, já no século XX, pelo então proprietário da casa, Fernando Themudo. Mas a mais interessante e significativa de todas é a do Senhor da Paciência, uma pequena mas maciça imagem em pedra policromada, atribuída ao século XVII, que representa Cristo, cheio de chagas e sangrando, pacientemente sentado em atitude de quem espera. Desta estátua conta a lenda que, por ser muito da devoção das gentes de Montalvo, o povo a enterrou durante as invasões francesas para evitar que fosse levada pela tropa de Napoleão.

  Do ponto de vista gastronómico, são muito apreciados os doces conventuais que as Irmãs Clarissas confeccionam, em especial as famosas tigeladas de Montalvo.

  Quem não conhece Montalvo e quer dirigir-se a algum ponto da aldeia é a partir do sobreiro que se orienta. Ponto de encontro das pessoas e ponto de partida de todos os caminhos, esta encruzilhada recebeu o nome de um majestoso sobreiro que aqui houve durante mais de um século e que foi referência da freguesia para sucessivas gerações. Como acontece com as pessoas, o sobreiro, já com muita idade, adoeceu e, apesar de todos os esforços que foram feitos para o salvar, acabou por secar em 2002 e teve de ser removido. No seu lugar foi plantado um exemplar jovem da mesma espécie.

  Nas proximidades do sobreiro encontra-se a chamada Escola Velha. Construída em 1904, como atesta a data na chaminé, é obra do arquitecto Adães Bermudes, o mesmo que fez parte da equipa que projectou a estátua do Marquês de Pombal que se encontra na Rotunda, em Lisboa. O edifício, que agora é Jardim-de-infância, foi o primeiro erigido para escola no concelho de Constância.

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